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Blog do Junkes

Lançamentos, resenhas de discos e eventos e opinião sobre todo e qualquer assunto que envolva o conhecimento que a cultura Hip Hop demanda.

Projota e Rashid: plantando o bem em Joinville

Joinville… não tem como eu falar dessa cidade sem pensar em RAP. Depois de Encontro das Ruas, show do Emicida, não tem como dizer que a cidade não respira Hip Hop. Tudo bem, talvez essa seja apenas a visão de alguém que sai de uma cidade onde a cultura de rua é quase zero, mas todas as experiências que tenho de Joinville são fodas. E no domingo, 29/05, posso dizer que mais uma ficará marcada, e não uma qualquer… afinal, não é todo dia que você pode presenciar Rashid e Projota juntos, independente de onde você seja.

Saímos de Blumenau às 16:30, a casa ia abrir às 19, os shows da RAP Genuíno provavelmente às 20:30, mas é sem problema… quem esperou pelo menos uns 2 anos, pode esperar mais umas horinhas.

O ambiente do show, o FootBar, era interessante. Ao mesmo tempo que tinha cara de bar moderno, tinha também um jeito de “underground”, talvez pelo teto baixo ou pelo espaço ser apertado, mas foi tudo um toque especial pro clima ficar ainda mais RAP.

Falando em RAP, o show começou assim:

Pra quem não conhece, esse foi o 5º Elemento, dupla de RAP de Joinville. Aliás, um dos integrantes do grupo, o Malcolm (da direita no vídeo), é o grande organizador da RAP Genuíno. A dupla, que ficou conhecida pelos sons na Mixtape Love RAP, deu uma apresentação de gala. Nada a ver com a vestimenta, mas sim com a qualidade do som produzido, indo de Highlander, nova música, mais pesada, até É Pra Sempre, tranquila e romântica. O repertório ainda teve outras canções como Selenitas, mas o mais importante foi o agito, a empolgação que trouxeram ao palco e consequentemente ao recinto. A galera já tava pirando, antes mesmo das atrações principais subirem…

Ah, já que eu falei de atração principal, deixa eu chamar a primeira… Não, pera, antes de chamá-la… dá uma olhada no que fizeram pra deixar a galera com o gostinho na boca:

Agora sim, a primeira principal atração no palco:

Michel… quer dizer, Moska… quer dizer, Rashid! Nada melhor pra combinar com RAP Genuíno do que um rapper que tem seu nome traduzido em justo, verdadeiro. Nada melhor pra combinar com RAP do que Rashid. Ele que cresceu no estilo ao lado de dois outros grandes nomes da atualidade, Projota e Emicida, vai conquistando cada vez mais o seu espaço. Sua EP, “Hora de Acordar“, lançada ano passado, foi um dos melhores cds do ano, o que deu ainda mais destaque para seu nome e mais ansiedade para a mixtape “Dádiva e Dívida” que será lançada agora, dia 06 de junho. Nem preciso dizer o quanto estou ansioso pra ouvir o trabalho, as músicas já lançadas ficaram muito boas e a expectativa cada vez maior…

Enfim, deixa eu falar um pouco do show do cara. Arrepiante, acho que pra mim não tem palavra melhor para um show de RAP. Sabe aquele sentimento, aquela vibração, aquele amor em estar no palco? Rashid transmitiu isso e muito mais, mesmo cansado da viagem e com a voz claramente prejudicada, ele deu tudo de si… E olha que o cara tem habilidade de sobra pra dar! Pra mim, o ponto alto da apresentação foi a música “E Se”, que é a que eu mais gosto e parece que é a do público de Joinville também; ninguém ficou parado!

Pra mim, Rashid “cresceu” como o patinho feio entre Projota e Emicida, mas assim como na história infantil, na qual o patinho feio torna-se em um lindo cisne… Acredito que “Dádiva e Dívida” será a transformação, a confirmação de todos elogios já feitos a ele, confirmação de que “Hora de Acordar” não foi apenas sorte de principiante, pra mim “Dádiva e Dívida” será o cd do ano e talvez Rashid o MC do ano… Talvez, bom, eu já venho falando isso há um tempo, e creio que tem tudo pra se tornar realidade.

Parabéns, Michel, independente de gostos pessoais, o trabalho que tens feito e tais pra fazer é louvável, e como eu diria pros muleque que converso sempre sobre RAP: você é foda, inspiração sempre!

Se eu fico quase sem palavras pra falar de Rashid, o que eu vou falar do “irmão” dele? Vou chamar ele pro post enquanto penso em algo:

Eu já tinha ido num show do Projota, em Blumenau, mas ali foi diferente: a casa tava lotada! Mais do que isso, nunca pensei que veria um rapper brasileiro sendo idolatrado por menininhas adolescente com gritos histéricos. É, mas eu vi… e ouvi, ah, e como ouvi! Sabe daquelas que ficam na frente do palco tentando tirar um pedaço do artista? Então, uma até tentou pegar a toalha dele no meio do show, puxou com tudo, mas o Projota tava atento e conseguiu salvar sua parceira, segurando com força e olhando com cara de desaprovação pra garota… “É, fia, isso aqui é Lauzane!”, acho que foi isso que ele pensou! No fim das contas, ele acabou jogando a toalha e mais alguns pertences pra geral, o que fez todos ainda mais felizes.

O show foi foda, como de costume. Projota é Projota e ponto. Podem dizer que ele não é o melhor, que ele é modinha, podem dizer qualquer coisa, mas nunca vão tirar da minha cabeça que ele é o cara que mais coloca sentimento na parada. É impossível você fechar o olho e se deixar levar pela música sem sentir algo dentro de você, sem sentir a emoção que você teria ao estar lá; ele te coloca nas letras, você se sente como o personagem principal da letra. Por exemplo, quando ele canta “Véia“, eu sinto como se eu não tivesse a minha mãe, e ao abrir o olho e perceber que eu a tenho, cara, dá uma puta vontade de honrar essa parada e dar ainda mais valor, sabe? É foda… é Projota!

O repertório vocês já conhecem e a música que mais levantou o público provavelmente também. Darei a mesma dica que ele deu segundos antes de começar a cantá-la: “Parece que vai chover…”. Tá,  devo admitir que na hora eu pensei que era “Garoa“, mas quando o público quase derrubou a casa eu percebi qual era: Chuva de Novembro!

Essas foram as palavras que encontrei pra descrever brevemente “o quanto foi foda, o quanto foi foda, o quanto foi foda”. Parabéns e muito obrigado Tiago, você já deve saber o quão importante foi e está sendo pro RAP Brasileiro, e é uma puta satisfação poder colar num show seu, ou ouvir as inspirações aqui em casa mesmo, no cdzim autografado…

Bom, pra minha tristeza, eles não cantaram “Plantar o Bem” e então você deve estar se perguntando “Por que o título, então, porra?”. Eu te respondo: “Será que precisava?”. Será que Projota e Rashid realmente precisam cantar “Plantar o Bem” para, efetivamente, plantar o bem? Acho que não! O som deles é pura emoção, história de uma vida regada de conquistas e muita luta, muita verdade, habilidade e dom… Cantar “Plantar o Bem” é redundante, seria apenas relembrar o papel que eles fazem toda vez que pegam o microfone, nem que seja pra fazer um free, que aliás, fizeram vários durante a noite… Mano, ensinamento puro em cada palavra, mesmo improvisada.

Projota e Rashid, porra, obrigado por plantar o bem por aqui, aqui pra Santa Catarina, espero que tenham voltado tranquilamente e com sentimento de papel cumprido ao Lauzane. Aliás, falando em Lauzane…

PS: Eu realmente precisava fazer esse extra aqui pra agradecer profundamente aos caras que organizaram o evento, principalmente o Malcolm que fez grande parte dos corres. Todo mundo de parabéns, desde o ambiente pro show até o próprio show em si, de primeiro mundo, mano. Obrigado mesmo, de coração!