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Blog do Junkes

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Quero ver quarta-feira – Emicida (part. Mart’nália)

Emicida e Mart'nália em Quero Ver Quarta-feira

Nessa quarta-feira (02), o Emicida lançou seu novo single, intitulado “Quero ver quarta-feira“. Além de ser totalmente peculiar pelo dia lançado, também uma quarta-feira, a letra e base da música tem tudo a ver com Carnaval, que está chegando. Mas ainda tem mais. A voz escolhida pra destacar o refrão da música é nada menos que a de Mart’nália, filha de Martinho da Vila, totalmente samba.

O nome da música, ao meu ver, vem de uma “crítica” ao jeito como o Carnaval é conduzido no Brasil, onde a comunidade luta pra fazer a coisa funcionar, mas quem leva o crédito e desfila são as “modelete global”. Como o Carnaval termina numa terça-feira, o “quero ver quarta-feira”, do título da música, sugere uma reflexão: o que vai sobrar dessa beleza toda? O que vai ser da quarta-feira? E Emicida nos mostra a resposta já no começo da letra: “Recolhe os bagulho, teu sonho virou entulho“.

Faça o download oficial da música “Quero ver quarta-feira”.

Bom, chega de falar, vocês que devem tirar suas conclusões ouvindo a música. Logo abaixo tem a letra pra acompanhar e entender melhor os versos agudos e inteligentes do rapper paulistano. Emicida mais uma vez tocou fundo no coração do Brasileiro e mais uma vez elevou o RAP a outro patamar.

Letra:

Barracão (Alô, comunidade)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (É hora de abrir o olho)
Mas o espírito não (Vamo acordar, favela!)
Faz pensar que não valeu (Nossa raiz)
Faz pensar que quem morreu (Por nossa raiz)
Morreu em vão!

Fim das alegoria
Pierrot, Colombina, fantasia
O sorriso, toda alegria
O confete, festa, orgia
Recolhe os bagulho, teu sonho virou entulho
Lantejoulas nem brilham tanto se não tem o barulho das batucada
o coração faz um mês de parada
Pretos voltam a ser só pretos, estilo homem na estrada
É nóiz, fita dominada, com essas eu não posso
É só olhar os trampo que recebe menos, ainda é tudo nosso
Os gringo vem, tira mó lazer, é noiz
Divide a alegria com você, é noiz
Na Gozolândia é mó fácil dizer que é noiz, meu
Mas sozinho na quebrada, só tô eu
Vendo a comunidade dar o sangue todo dia
Pras modelete global ser rainha da bateria
Quem tem dinheiro alcança sua fantasia, sem zelo
Quem bordou ela fantasia em sair desse pesadelo

Barracão (Alô, comunidade!)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (Vamo acordar, favela!)
Mas o espírito não (No ar, vamo abrir o olho!)
Faz pensar que não valeu (E aí?)
Faz pensar que quem morreu (Nossa raiz)
Morreu em vão!

Pois quem é fica e ajuda a erguer outro carnaval
Mas quem não é, antes da quarta tá dizendo tchau
Tira a beleza natural que vence qualquer Photoshop
Põe paquita de silicone, mulher de ídolo pop
Que só é atraente quando tá com a voz no mute
Fala de comunidade, mas só conhece a do orkut
A serpentina moca o bote da víbora assassina
Geral do filme anos atrás preveu essa sina
Quem é que me ensina a real do que eu vejo na pista
Não deixo o samba morrer, embora esses vermes insista
A elegância de um mestre sala será mantida
Ao pisar no lixo da calçada que cobre cada avenida
Não tem hora melhor pra dar um basta, excluir esses puto
Antes que as porta-bandeira hasteie bandeira de luto
Marchinhas serão fúnebres, desfiles em memórias
Se nóiz não tirar agora quem não respeita a nossa história.

Barracão (Todos os guetos, todas as favelas)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (Todos morros, todas ruas)
Mas o espírito não (Vamo lutar pelo que é nosso)
Faz pensar que não valeu (Pela nossa raiz)
Faz pensar que quem morreu (Pela nossa história)
Morreu em vão! (Diz aí Mart’nália…)

Barracão (Barracão)
Eu ainda vejo o mesmo barracão (Da mesma maneira, no mesmo lugar)
Mas o espírito não (Só que a essência já não me parece a mesma, morô?)
Faz pensar que não valeu (Cadê o valor?)
Faz pensar que quem morreu (Os guerreiros que lutou por isso)
Morreu em vão! (Diz pra mim você agora se é verdade…)

Salve, rua
Essa é pra todas as favelas, morô?
Todas comunidades, todo mundo que da a vida, o suor e o sangue pela nossa raiz, morô?
Nos barracão, nas roda de samba, nas roda de improviso, tá ligado, mano?
Vamo tornar nosso respeito, nossa disposição, no tamanho do nosso amor, tá ligado?
Pra que a beleza do desfile esteja presente todo dia ao nosso redor, tá ligado?
Não abraça a ideia dos sanguessuga não, mano
Abre o olho, sem emoção
Prosperidade pra nóiz, tá ligado? Prosperidade pro gueto, mano
Vida longa pro samba, vida longa pra raiz
Aí pagodeiro, aí partideiro, aí MC, aí funkeiro,
Cê tem uma responsa com essa parada, irmão
Abrir o olho e seguir em frente
E lutar pela prosperidade e pela vida dos nossos, paz!