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Emicida em Blumenau: como eu vou dizer que o Hip Hop morreu vendo isso!

*O show do Emicida em Blumenau aconteceu no dia 20 de agosto, no Boteco Marechal. A festa ainda contou com MC Paulista, Floripa MC’s, DJ Andre Heat e DJ Nathan Romanos.

Um dos shows mais aguardados, mais pedidos, sem dúvida. Já tava há muito tempo pedindo aos organizadores de festas, baladas da cidade pra trazerem ele. Não vou entrar no mérito da discussão dos motivos de tanta demora nem nada, mas o fato é que ele viria, a questão era quando. Era, porque sábado, dia 20 de agosto, Emicida subiu no palco pela primeira vez em Blumenau, Santa Catarina.

Era mais do que um show. Era uma festa, uma celebração. Temos todo o direito de comemorar onde o RAP chegou, viajando o Brasil, alcançando milhões. E nada melhor do que Emicida pra tornar isso realidade. Mas a festa começou antes, com Floripa MC’s.

Depois, foi ao palco MC Paulista, MC de Blumenau que sempre abre os shows de RAP no Boteco Marechal. O público, que já conhece o MC de outras apresentações, veio junto na empolgação.

A festa tava bonita. A casa tava cheia. A ansiedade dominava os presentes de um jeito que parecia que Emicida nunca entraria. Nunca diga nunca…

Com uma puta empolgação, Emicida cantou músicas dos seus 4 cds, não tinha como não agradar. O público tava ensaiado. Lindo foi ver as tradicionais E-M-I-C-I-D-A e Triunfo, que sempre empolgam, mas me marcou também o público em coro no “laia-laia” de Eu Gosto Dela, perfeito. Não por causa do nome do site, mas fã de Emicida e fã de Eminem como eu sou, já tinha ouvido “Vai Ser Rimando” com a base de “The Re-Up”, do Eminem e 50 Cent. Mas ontem foi diferente, dá só uma ouvida no “beat box coletivo” da cidade de Blumenau!

“Fala que morreu a porra do RAP Nacional. Eu falo vai tomar no seu cu, o RAP tá vivão lá em Blumenau!” – Emicida

Emicida no Boteco Marechal, em Blumenau/SC

Foto: Andrey Silva

A conversa com o público sempre é uma parte do show que gosto de lembrar, pois normalmente ela é única em cada cidade, é o que ele tá sentindo ali no momento. Emicida comentou o fato histórico de que uns 10 anos depois da música dos Racionais, um RAP chega a uma rádio nacional: a música Viva está disponível pra vocês pedirem na rádio Mix! Não só uma conquista para o Emicida, mas uma conquista pro RAP, que tem conseguido o seu espaço. Essa também foi uma das ideias que ele deu ao comentar que a casa tava cheia. O progresso do RAP viajar o país e levar o público. Ainda fechou com “Como diz o Projota: ‘nós somos um só’”.

E é assim que o RAP tem crescido, na união do público com o artista. Não gosto muito da palavra família pra descrever, acho que é uma palavra muito importante pra banalizar assim, mas se formos analisar, em muitos pontos da relação entre o artista e os fãs, há um pouco de “família”. O apoio, o ato de defender perante outros que criticam, a crítica construtiva quando necessário, puxões de orelha, elogios, incentivos, enfim, o RAP só tem alcançado tantos, pois foi criada uma ligação muito forte entre o rapper e o público.

A barraquinha de “Camiseta ou Disco?” tava montada e era bem na linha de Porradão de 5, do Rashid, mesmo. Não adianta você colocar seu CD em grandes lojas e esperar, você tem que ir atrás. E isso é um reflexo de todo processo, desde gravar uma música até a venda do CD. Eu nunca tinha visto nem ouvido falar de artista que vende seu CD em show, até chegar o RAP… é aquela ligação com o público que falei antes. Acho que o público deve sempre ver o rapper numa relação de fã-artista, mas entendo o artista chamar seu público de família: eles conhecem muito da história do cara e tão sempre lá pra ajudar. Não gosto de usar a palavra, não usaria, mas entendo o porquê de a usarem.

Emicida já tem ares de celebridade. Notável pelo aumento da segurança, se comparar com aquele cara andando no meio de todo mundo no Encontro das Ruas 2010, em Joinville. Foi preciso um certo esquema pra locomovê-lo dentro da casa, pra organizar das pessoas baterem fotos. Haja pessoas! Dava pra ver na cara dele o cansaço, mas em nenhum momento perdia a alegria, vista nos passos de dança tímidos, provavelmente pra se manter em pé depois de um show daqueles. Entregou-se no palco, entregou-se aos fãs, sem reclamar de cansaço, sem se negar a tirar fotos ou dar autógrafos.

Ah, mas se eu disse que o Emicida tem ares de celebridade, que a segurança mudou e tudo mais, preciso dizer que uma coisa em especial não mudou no show dele. Aí, por favor, peguem o que vocês têm no bolso e coloquem pra cima, vai…

Não é à toa que o chamam de rei do Freestyle. Em Blumenau, só faltou a coroa. Mas talvez ele nem fosse usar. Se em algumas músicas ou no jeito, alguns o chamam de marrento, quem o conhece chuta essa hipótese pra longe. Simplicidade e humildade como um bom representante do RAP Brasileiro precisa ter. E que representante! Assim como Rashid, Slim Rimografia, Projota, Nathy MC e tantos outros, Emicida provou mais uma vez que o Hip Hop vive! De novo, sem entrar nos méritos se está melhor ou pior que antigamente, pois vai da opinião de cada um, mas ele está forte. Talentos brotando em todos os cantos do país. “Um viva pra nóiz!”

Vá em um show do Emicida. Na hora que ele subir no palco, aperte pause. Suba ao lado dele, pare um segundo, olhe para o público e se pergunte: “Como eu vou dizer que o Hip Hop morreu vendo isso?”

#vaiRAP