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Guilherme Junkes

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Tu também tem o dom de me emocionar, Projota!

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O Projota foi um dos primeiros rappers que eu realmente curti depois que comecei a entender melhor o rap brasileiro. O que ele, Rashid e Emicida fizeram foi um verdadeiro divisor de águas, não só na minha vida, como na do próprio rap nacional. Óbvio que não foram só os três, mas toda uma geração que conseguiu, principalmente, utilizar muito bem as novas tecnologias pra espalhar o seu som. O show do Projota foi, inclusive, um dos primeiros que frequentei; ele foi o primeiro de uma série de shows de rap que rolou entre 2010-12 aqui na região. Aliás, show de rap no interior de Santa Catarina nunca foi algo normal; aquele foi um momento diferenciado. É bem verdade que (…)

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O preconceito contra (ex-)presidiários também mata inocentes

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A esperança com a chegada de 2017, que, embora seja praticamente apenas uma mudança nos números do calendário, trazia uma luz, de acordo com boa parte da população, após um catastrófico 2016, parece não ter se concretizado. O ano mal começou e já tivemos um massacre com 56 mortos, em um presídio de Manaus. Talvez você nem tenha ouvido falar sobre o assunto ou tenha visto apenas de relance, pois houve pouca comoção nacionalmente. Afinal, entre os mortos estavam apenas detentos, uma disputa de facções. E para um país em que mais da metade da população (57%) acredita que “bandido bom é bandido morto”, isso não é surpresa. Muito menos quando o Secretário da Juventude desse mesmo país defende tais (…)

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5 dicas pra melhorar a divulgação dos seus raps na Internet

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Quando a ideia por trás do Vai Ser Rimando era publicar as notícias do hip hop e, consequentemente, os lançamentos do rap brasileiro, o que eu mais via eram trampos postados no Soundcloud ou Youtube com descrições incompletas ou sem descrição alguma. Tinha vez que até chegava e-mail pra divulgação apenas com o link. E o pior é que sempre rolava uma cobrança, direta ou indiretamente; MCs que cobram de outras pessoas o cuidado com a arte deles que eles mesmos nunca tiveram. Se a mídia do hip hop brasileiro, que é um punhado de gente amadora (que faz o que faz quase que somente por amor), falha ao divulgar o trampo de outra pessoa, o que dizer então do próprio (…)

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Rashid definitivamente faz justiça ao seu nome

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Cansado de dar munição fácil aos seus adversários nas batalhas de MC e da pouca representatividade da alcunha, Michel resolveu investir em sua carreira de rapper com outro nome. Afinal, além do inseto insignificante, “Moska” também podia facilmente ser usado para referenciar o verbo “moscar” (vacilar). Influenciado pelos amigos, que diziam que ele parecia ser descendente de árabes, Michel procurou algumas palavras na língua local e, entre tantas possibilidades, escolheu “Rashid”. “Rashid” significa algo como “aquele que é guiado corretamente” ou “guiado pela fé verdadeira”, mas, de forma mais simples, “o justo”. Caiu como uma luva. O rapper, que alcançou uma carreira bastante sólida sem se envolver em polêmicas, aproveitou o momento da cena para lançar “A primeira diss”. Entretanto, em vez (…)

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13th: de escravo a criminoso com apenas uma emenda

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O Estados Unidos aboliu a escravidão oficialmente em 1863, de acordo com os livros de história. Em 1º de janeiro daquele ano, o então presidente Abraham Lincoln assinou o Ato de Emancipação, que tinha como ponto central a libertação de cerca de 4 milhões de escravos negros. Em meio a várias burocracias, foi só em dezembro de 1865, com a aprovação da 13ª emenda no Congresso, que o país realmente proibiu a escravidão. É bem verdade que a situação do negro nos Estados Unidos era bastante problemática até pouco tempo atrás, com as lutas pelos Direitos Civis, com Martin Luther King Jr., Malcolm X, entre outros. Se o racismo continua até hoje, a escravidão, no papel, continua proibida. A XIII (…)

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“Luke Cage”: a coisa finalmente tá preta de verdade

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Já faz um tempo que descobri em mim uma paixão pelas palavras que vai além da vontade de escrever. Gosto de ver como elas são escritas, como são utilizadas, seus significados e suas origens. E isso vale pra expressões também. Cê já parou pra pensar na origem de “vale a pena” ou “guardado a sete chaves”? Grande parte desse apreço pelas letras vem da já mencionada vontade de escrever e da curiosidade inerente. Mas, uma parte considerável se encontra na tentativa de abolir do vocabulário alguns preconceitos, como os xingamentos machistas, tão facilmente usados no dia a dia, e as expressões racistas. “A coisa tá preta” é uma que sempre me incomoda. Ela não é tão “criminosa” quanto “tinha que (…)

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As contradições do Nocivo Shomon são as nossas também

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Nocivo Shomon sempre foi um nome que veio acompanhado de muita polêmica. Nem todos os seus trabalhos foram polêmicos, mas desde “A rua é quem” e “Retaliação” se tornou quase impossível citá-lo sem mencionar os intermináveis questionamentos ao Emicida ou a discórdia com o DJ Caique ou até mesmo aquela tretinha com o AXL. Nocivo já tinha lançado um CD inteiro antes de qualquer uma dessas tretas, antes mesmo do Emicida aparecer com “Triunfo”. Muitos dos seus fãs e/ou pessoas próximas a ele, aliás, foram contra novas linhas sobre o assunto. Mas, é inegável que todas essas diss e as tantas outras que vieram depois fizeram um bem tremendo pra popularidade do rapper. Por isso, quando, na sua treta mais recente, intitulada (…)

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Desculpe o transtorno, preciso falar do Amiri

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Lembro até hoje quando mataram o David e o Amiri se vingou. Tomou a cena com humor, flow, conteúdo e muita técnica nas rimas. “Êta Porra!” não era só uma boa novidade do rap, mas era de uma originalidade que eu arriscaria dizer que o rap precisava. Lembro que descobri o single através de um tweet do Kamau. Depois, o EP chegou!; isso era 2012. Escuto até hoje sem problema algum, sempre tem uma linha que cê pode escutar de uma forma diferente, as skits, o auto-depreciamento, é um bagulho bem raro de se ouvir com essa qualidade. Amiri tinha tudo para se tornar um dos grandes destaques; ser colocado entre os melhores, principalmente pela técnica apurada em seus versos. (…)

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A maior revolução de Malcolm X foi a de si mesmo

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Malcolm X é um dos maiores nomes da luta dos negros pelo direito de igualdade nos Estados Unidos. Provavelmente, o segundo maior, logo atrás do Dr. Martin Luther King Jr. Aliás, os dois são quase sempre lembrados juntos não só por terem vivido na mesma época, mas por suas diferentes abordagens: este prezava pelo protesto pacífico, enquanto aquele não tinha problema algum em mostrar sua agressividade. Entretanto, Malcolm não era, de maneira alguma, uma pessoa violenta. O seu discurso inflamado e agressivo era oriundo de uma história violenta; era quase como auto-defesa. Seu pai havia sido morto por supremacistas brancos ainda quando ele era criança. Cresceu em meio à criminalidade e participou dela em alguns momentos, até ser preso. E (…)

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Quem ganha mais com as diss: a mídia, o público ou os rappers?

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Uma diss, abreviação de “disrespect”, pode ser abrangente como uma linha ou específica como uma música inteira. Eu não gosto de taxar qualquer zoação como “diss”, ainda mais depois de terem banalizado a expressão, mas como só sente quem sofre, o desrespeito pode estar mesmo em qualquer zoação. De qualquer jeito, as diss são tão antigas no hip hop como o próprio hip hop, provavelmente. E podem ser tão grandes como a rixa Tupac x BIG. No Brasil, ainda não rolou nada assim e com tão devastas consequências, mas Marechal e Cabal, MV Bill e Pregador Luo, Nocivo e Emicida, Zap-san e Projota, Costa Gold e Terceira Safra são algumas que lembro. A mais recente é toda treta originada a partir da “Sulicídio”, (…)

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Emicida e LAB no SPFW, o outro lado da representatividade

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Até conhecer o trampo do Emicida, eu acreditava que pra você gravar um disco ou até mesmo uma música, você precisava do aval de alguém lá de cima, do investimento de uma gravadora. Ali pra 2009/2010, com a consolidação do rapper, com a chegada da “Emicídio”, comecei a me meter mais nessa parada de hip hop. Emicida era o cara no topo do jogo que mostrava pra todo mundo que cê não precisava esperar por qualquer um pra fazer o corre, que um trampo bem feito falaria mais por você. Inclusive, ele até rimou isso naquela “em vez de reclamar que eu não toco no Espaço Rap, eu fui trabalhar e arrumei espaço pro meu rap” (verso que inspirou um texto (…)

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Mano Brown e Racionais tão mais comerciais. Cadê o problema?

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O tão aguardado álbum solo do Mano Brown ainda não saiu, mas, depois daquele “vazamento”, finalmente pudemos dar uma espiada oficial no que tá pra chegar. O rapper lançou a música “Amor distante” e logo de cara já chegou um clipe pra ela também. O trampo já seria intensamente comentado naturalmente, afinal, não é todo dia que o líder do maior grupo de rap do Brasil lança seu primeiro CD solo. No entanto, esse terá um motivo a mais pra cair na boca do povo: Brown promete focar nas músicas românticas. E “Amor distante” chegou pra confirmar isso. Tudo bem que o rapper aparece ainda fazendo as caras como se tivesse cantando “não confio na polícia, raça do caralho”, mas (…)

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5 motivos pra considerar “Sabotage” o disco mais importante da década

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Nas redes sociais, o Vai Ser Rimando se tornou até que bem conhecido por fazer brincadeiras com discos que estão sendo anunciados há muito tempo, mas ainda não saíram, como (e quase exclusivamente) o VVAR, do Marechal. A tiração é muito mais uma questão de espera ansiosa pelo trabalho do que uma reclamação. Afinal, o lançamento de um CD é algo bastante crucial para o arista, muitas vezes um divisor de águas em sua carreira. É claro que o tempo de produção não é diretamente proporcional à qualidade com que o disco será lançado, mas é muito mais provável que um maior tempo resulte em algo mais bem feito do que um produzido apressadamente. “Sabotage” é o exemplo perfeito de como a espera, (…)

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Eu nunca entenderei por que rappers vão ao programa do Danilo Gentili

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Uma polêmica envolvendo o Danilo Gentili surgiu há alguns dias no Twitter. Mais uma. O Daniel Ganjaman, lendário produtor do CD do Sabotage e que, mais recentemente, tem trampado direto com o Criolo, publicou na rede uma imagem do comediante ao lado de um cartaz com a frase “Não sou negro graças a Deus”. Ganjaman acrescentou em seu tweet a legenda “Eu só queria dizer que eu odeio o @DaniloGentili com todas as minhas forças”. Eu só queria dizer que eu odeio o @DaniloGentili com todas as minhas forças pic.twitter.com/m5x4H2nzVh — Daniel Ganjaman (@danielganjaman) 10 de outubro de 2016 Ressurgiu, na verdade. Essa polêmica já é antiga; a imagem em questão faz referência a uma série do Gentili lá de 2014, (…)

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A raiz e o mainstream do hip hop se encontram em “The Get Down”

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O hip hop morreu? O rap evoluiu? E a relação com a mídia? Nova ou velha escola? Cê pode fazer um documentário inteiro com essas perguntas se cê deixar rappers responderem ou soltar em qualquer roda de fãs de 20 anos pra cá e ver as pessoas se matarem. Não duvide, elas vão tentar. Principalmente se cê tiver coragem de soltar essa última. Mesmo que hoje MCs lancem música nova quase que uma vez por semana, é raro cê ver uma parceria entre esses dois grupos, essas duas “escolas”. E, quando acontece, geralmente são da mesma produtora ou algo assim. Não dá pra entender qual a dificuldade, mas ela existe. E isso acaba refletindo nos fãs, que tomam um lado e aí (…)

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À la Marechal, Lin-Manuel Miranda se torna um dos destaques do rap, sem lançar CD

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O que você espera do seu artista favorito? Se ele for um pintor, provavelmente que ele exponha novas pinturas, apresente alguns desenhos ou pelo menos uns rascunhos; se for escritor, novos livros, publicações em um blog ou uns textões de Facebook, é o mínimo. Mas, e se for um rapper? Não, esta não é a segunda parte da “O que realmente queremos dos rappers?“. Bom, se seu artista favorito for um rapper, você provavelmente quer que ele faça mais e mais rap; você provavelmente gostaria de escutar um som novo por semana, certo? Se for assim, eu diria pra você escolher com cuidado. Assim como outras artes, o rap permite que artistas ganhem reconhecimento e respeito mesmo sem lançar muitos (…)

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